“A Diferença Que Há”

A diferença que há entre os estudiosos e os poetas
É que aqueles passam a vida inteira com o nariz num assunto
A ver se conseguem decifrá-lo, e estes
Abrem o livro, lêem três páginas, farejam as restantes
(nem sequer todas) e sabem logo do assunto
o que os outros não conseguiram saber. Por isso é que
os estudiosos têm raiva dos poetas,
capazes de ler tudo sem Ter lido nada
( e eles não leram nada tendo lido tudo).
O mal está em haver poetas que abusam do analfabetismo,

E desacreditam a gaya Scienza

Jorge de Sena

Uma resposta to ““A Diferença Que Há””

  1. João Barros Says:

    Mais um poema do grande Jorge de Sena, muito esquecido pelos “intelectuais” da nossa praça…

    «ESTÃO PODRES AS PALAVRAS….»

    Estão podres as palavras – de passarem
    por sórdidas mentiras de canalhas
    que as usam ao revés como o carácter deles.
    E podres de sonâmbulos os povos
    ante a maldade à solta de que vivem
    a paz quotidiana da injustiça.
    Usá-las puras – como serão puras,
    se caem no silêncio em que os mais puros
    não sabem já onde a limpeza acaba
    e a corrupção começa? Como serão puras
    se logo a infâmia as cobre de seu cuspo?
    Estão podres: e com elas apodrece a mundo
    e se dissolve em lama a criação do homem
    que só persiste em todos livremente
    onde as palavras fiquem como torres
    erguidas sexo de homens entre o céu e a terra.

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