A obra financeira do PSD

Não é frequente ver-se este gráfico que descreve a evolução do défice das contas públicas entre 1980 e 2004.
Para os mais esquecidos, o Ministro das Finanças do Governo da AD, em 1980 e 1981, foi Cavaco Silva. Apesar do desequilíbrio da balança de pagamentos, valorizou o escudo, baixou a taxa de juro e congelou os preços dos transportes públicos em pleno segundo choque petrolífero. Nunca a situação financeira do país se degradou tão depressa como então.
Não admira que Cavaco Silva tenha fugido rapidamente do governo e que Balsemão o tenha também abandonado em 1982. Em 1985 Cavaco voltou, já como primeiro-ministro, e isso nota-se imediatamente no gráfico. Nos anos subsequentes, a entrada dos fundos comunitários atenuou o défice do orçamento geral do Estado, que desceu para os 4% em 1989.
Mas era preciso conquistar nova maioria absoluta em 1991, de modo que as despesas correntes voltaram a crescer em flecha. A massa salarial dos professores, por exemplo, cresceu 98% entre 1989 e 1991.
Novo recuo temporário pós-eleitoral, novo disparo em seguida, de modo que, ao chegar ao Governo, o PS recebeu um défice de quase 8%. Pode-se ver no gráfico como ele diminuiu continuamente até 2000. Em 2001, ano em que se inverteu a tendência, subiu um pouco acima dos 4%, registando uma descida mínima em 2002.
Regressado em 2002 ao governo, o PSD retomou prontamente a sua tradição despesista, atirando o défice para perto dos 6%. Sabemos como, com Sócrates, regressou entretanto para perto dos 2%.
Ouvimos às vezes dizer que o trabalho feito pelo actual governo poderia ter sido feito pelo PSD, mas é difícil entender-se em que se baseia esta crença. Nada – mas mesmo nada – no currículo do PSD sugere que saiba ou queira pôr na ordem as contas públicas. Na sua última passagem pelo governo, agitou a crise financeira como justificação para reduzir despesas sociais, mas jamais revelou vontade de atacar os problemas de fundo, fosse reduzindo despesas, fosse aumentando receitas.
É necessária uma certa falta de pudor para, perante os dados revelados no gráfico acima, o PSD continuar a pretender apresentar-se como modelo de virtudes no que respeita à consolidação orçamental. É claro que só pode fazê-lo porque a esmagadora das pessoas nunca viu estes dados.
Eu acrescentaria que, bem vistas as coisas, não há nada de extraordinário na história da política orçamental do PSD. Olhem para os EUA e também aí constatarão que, mau grado as grandiloquentes proclamações, a direita deixa sempre atrás de si défices gigantescos. Vejam Reagan, vejam Bush pai, vejam Bush filho.
A redução dos impostos sobre as classes altas e a distribuição de dinheiro de forma indiscriminada para ganhar eleições levam inevitavelmente a esse resultado. Quem vier a seguir que resolva o problema.

Publicado por João Pinto e Castro no Blog “…bl-g- -x-st- -“

3 Respostas to “A obra financeira do PSD”

  1. AR Says:

    Era melhor mudar a nota final e escrevê-la em português, pois assim não se entende lá muito bem.

  2. Anti-traste Says:

    Um dia hei-de aprender a ler os gráficos à maneira dos chuchialistas.
    Lêm as coisas a fazer o pino.
    Não perceberam?
    Eu explico:
    Lêm os gráficos de pernas para o ar!
    Ou ao espelho!
    Está tão bem lido!
    Até parte o coração, tão grande é a inteligência!…
    Só falta dizer que, quando Sócrates e Guterres, ao fim de 6 (seis) abandonaram o país no PÂNTANO, Portugal tinha sido condenado por déficit excessivo…
    E estava a acabar o período das “vacas gordas”…

  3. Pedro Morais Says:

    Realmente já é o segundo gráfico que vejo analisado da mesma maneira e começo a pensar porque é que tanta gente ainda vota no PS, vêm tudo ao contrário do que realmente é.

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